Será que você é um iconoclasta?

3 de setembro de 2010 | ligiafascioni

Fotografia: Paolo Franco

Fotografia: Paolo Franco

Perguntinha capciosa essa, heim? Vou dar uma pista, afinal, até alguns dias atrás, eu nem fazia ideia se isso era de comer ou de beber.

Vamos lá: iconoclasta, significa, literalmente, destruidor de ícones. A origem da palavra data de 725 d.C., quando Leo II, imperador de Constantinopla, destruiu o ícone dourado de Cristo instalado nos portões de seu palácio. O iconoclasta não respeita símbolos, ídolos, imagens religiosas ou qualquer tipo de convenção social ou tradição. Um iconoclasta entende que nada nem ninguém é digno de culto ou reverência.

Quem desenterrou isso lá das antigas e trouxe para o nosso mundinho contemporâneo foi o neurocientista Gregory Berns, com seu ótimo livro “O iconoclasta“.

Berns atualiza o conceito quando diz que iconoclasta é uma pessoa incomum que interpreta a realidade de maneira distinta e faz aquilo que o senso comum julga impossível de ser feito. Ou seja, iconoclastas são inovadores, aquela raça que muda o mundo e vira pelo avesso tudo o que a gente conhece. Nem sempre esse povo é fácil de lidar, mas são eles que fazem a civilização andar.

Os iconoclastas são pessoas diferentes da média e vêem o mundo de uma maneira diversa e original. Gregory Berns descobriu, inclusive, que o cérebro dessas pessoas é diferente em três aspectos principais: a percepção, a resposta ao medo e a inteligência social.

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Dentista equivocada

11 de julho de 2010 | ligiafascioni
Ilustração: Eve Duhamel
Ilustração: Eve Duhamel

Droga, aconteceu de novo! Entro no carro com pressa, ponho o cinto de segurança, dou partida e, quando olho para a frente aparece um daqueles papeizinhos irritantes presos no limpador de pára-brisas. Como estou voltando da aula de yôga, só me resta colocar os ensinamentos em prática: respirar fundo, manter a calma e a serenidade e, sem movimentos bruscos, retirar o lixo e colocá-lo no devido lugar, dentro do carro. Há que se perdoar esse tipo de coisa, pois eles não sabem o que fazem.

E não sabem mesmo. A equivocada da vez é uma dentista oferecendo seus serviços. Tenho a mais absoluta certeza de que essa moça não tem a menor noção do estrago que está fazendo em sua vida profissional com essa “ação de marketing”.

O maior problema, a meu ver, é que as faculdades que formam profissionais liberais não oferecem em seus currículos nem a mais leve noção do que venha a ser marketing e para que serve. O resultado é que a aluna mais habilidosa da turma pode ser um fracasso profissional pela falta de conhecimentos básicos sobre como se posicionar e se manter no mercado. Um desperdício de talento que resulta numa eterna fonte de poluição para o público em geral e muita frustração para o profissional em questão.

Todo mundo sabe que é complicado para quem está começando um negócio investir em consultorias de marketing e design (até porque está cheio de profissionais de marketing e design fazendo o mesmo tipo de bobagem), mas pelo menos alguma informação básica sobre o que não fazer talvez possa ajudar.

A primeira coisa que um profissional liberal precisa entender é que, em serviços, tudo depende de relacionamentos. E ele precisa se colocar no lugar do cliente para compreender isso melhor: um dentista, quando precisa de um advogado, começa por onde? Realiza freneticamente uma busca seletiva na sua lixeira até encontrar a propaganda de um? Fica atento aos panfletos que recebe nos semáforos? Então o que o faz crer que poluir a cidade vai fazer as pessoas guardarem o lixo para entrar em contato depois e contratá-lo?

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Credibilidade

31 de março de 2010 | ligiafascioni

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Sou fã de carteirinha do Ênio Padilha e na newsletter dessa semana ele se superou outra vez. Escreveu uma daquelas colunas que todo mundo gostaria de ter escrito; concordo com cada letra. Vou reproduzir o texto, mas o original está aqui.

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CREDIBILIDADE É UM RECURSO VALIOSO por Ênio Padilha

Credibilidade é, de fato, um recurso valioso (é raro, é idiossincrático e é percebido pelo cliente como algo positivo). No entanto, é muito difícil para um indivíduo (ou uma organização) afirmar categoricamente que possui credibilidade, ou que a sua credibilidade é maior do que a dos seus concorrentes a ponto de construir-se em um diferencial competitivo.

Nos meus cursos, por exemplo, quase todos os profissionais afirmam ter dificuldades para convencer seus clientes a fechar os negócios. Mas depois, na hora de fazer o exercício sobre recursos e diferenciais competitivos, colocam lá em letras maiúsculas: CREDIBILIDADE.

Eu fico me perguntando: “que tipo de credibilidade é essa, que na hora de fazer a diferença simplesmente não funciona?

A credibilidade é a característica de quem é digno de ser acreditado. Para negociar e vender serviços é importante (fundamental) a credibilidade, construída pelo comportamento e performance no mercado ao longo dos anos.

Ter credibilidade significa que as suas previsões e promessas são aceitas como verdade pelos seus interlocutores.

Se uma pessoa diz que tem credibilidade mas, na hora de negociar com o cliente não consegue nada, então uma de duas coisas está acontecendo: ou a pessoa não está argumentando corretamente (não está prometendo ao cliente alguma vantagem diferenciada) ou, o que parece ser o mais comum, não tem tanta credibilidade quando acha que tem.

Além do mais, a estatística está contra essa legião de engenheiros e arquitetos que afirmam ter credibilidade no mercado, pois todos os levantamentos feitos junto aos clientes (eu mesmo fiz um, para um trabalho do mestrado) aprontam o descumprimento dos prazos como uma das principais reclamações dos clientes em relação aos profissionais.

Ora, um prestador de serviços que não cumpre seus prazos e não tem disciplina para lidar com os seus compromissos (chega atrasado às reuniões, demora um dia a mais para enviar aquele relatório ou proposta, vive dando explicações sobre seus descumprimentos de prazos e horários (trânsito, computador, funcionários, fornecedores….)) não consegue passar segurança para seu cliente. Não pode dizer que tem credibilidade.

Credibilidade é conseqüência. A causa é o comportamento profissional no mercado.

O espontâneo

8 de fevereiro de 2010 | ligiafascioni

Fotografia: Marco Grizelj e Kristian Kran

Fotografia: Marco Grizelj e Kristian Kran

Trabalhei com um sujeito que pensava em voz alta o dia todo. O resultado é que a gente nunca podia confiar no que ele dizia, uma vez que as idéias ainda não estavam maduras e ele as mudava a toda hora. Nas reuniões, fazia questão de expressar seu ponto de vista, mesmo que não acrescentasse nada no que estava sendo discutido. Ele se gabava de ser autêntico, espontâneo, em resumo: “ele era ele mesmo“.  Seu lema: “Quem quiser que goste de mim do jeito que eu sou“.

O resultado é que, na empresa, em vez de ressaltar a sua competência, ele era conhecido como “o chato“. E não estava sozinho não. A legião de espontâneos só vem crescendo depois que os BBBs da vida começaram a alardear em cadeia nacional o valor de ser “eu mesmo“. E, nas empresas, isso está cada vez mais se tornando um problema.

A gente liga a TV, conversa com um colega que viu uma ou duas vezes ou lê uma entrevista; sempre tem alguém contando suas intimidades, seus medos mais profundos, enfim, sendo “ele mesmo“.

Só que expressar segredos (principalmente na empresa) é o equivalente a sair por aí impingindo a nudez a todos, independente do interesse de cada um; além do que, é extremamente sem graça sair por aí mental ou fisicamente pelado. É a maneira mais rápida e eficiente de constranger quem está ouvindo; desde que o mundo é mundo, segredos são interessantes enquanto mantidos em sigilo.

O fato é que o planeta está cada vez mais cheio de gente e todos querem mostrar “seu próprio eu“. Todos estão ansiosos para falar, mas quase ninguém quer ouvir. A gente recebe tanta carga de informação todos os dias que, uma hora, é natural que queiramos nos expressar.

Existem muitas maneiras de se fazer isso e, no local de trabalho, há que se tomar cuidado ao “soltar o verbo”. É que a fala, ao contrário do que muitos pensam, não serve para desentupir cérebros. Para isso existem as artes. Podemos expressar nossos sentimentos desenhando, pintando, escrevendo, filmando, fotografando, blogando, twittando, enfim, opções para desabafar é o que não falta. Se a pessoa não quer se expor, todas essas formas permitem o uso de pseudônimos. Os demais podem ou não apreciar, podem ou não entender, podem ou não ver, ler, apreciar. Eles podem escolher.

Já quando alguém fala num ambiente fechado, como um escritório, os que estão presentes não têm alternativa, eles têm que ouvir, seja o assunto do seu interesse ou não. E dificilmente as pessoas estarão abertas a qualquer tipo de opinião alheia se estão concentradas em outra coisa: lendo e-mails, fazendo um relatório, atendendo ao telefone, pensando sobre um problema ou até vendo televisão. Assim, qualquer coisa que se diga pode perturbar a paz do lugar e desencadear uma crise ruim para todo mundo; é o famoso “climão“.

A questão é que quem fala sem pensar, dificilmente está preocupado em entregar valor ao companheiro de trabalho, cliente ou quem quer que seja. O ideal seria emitir uma opinião somente quando tiver certeza de que tem alguma utilidade ou será bem recebida por quem vai ouvi-la. As pessoas não ficam mudas fazendo isso, pode acreditar. É bem difícil (eu ainda não consigo), mas é o que nos faz civilizados; justamente não sermos espontâneos.

A civilidade consiste, basicamente, na convivência em sociedade, quando se leva em consideração o conforto e o bem estar do outro, além de respeitar o momento de cada um. Mas os espontâneos, ao ouvirem isso, correm logo a recitar o seu mantra clássico “eu eu? quem se preocupa comigo?“.

Os espontâneos têm razão, poucas pessoas hoje em dia se preocupam em entregar valor, justamente porque estão quase todos concentrados no seu próprio conforto e bem-estar, em expressar “seu próprio eu“.

Alguns, bem poucos, é verdade, realmente tomam o cuidado de falar somente quando têm algo a contribuir, ou certificam-se que o assunto tratado é de interesse do interlocutor. E você já reparou que essas pessoas raras são as que sempre têm um astral bacana, são as mais legais, as mais educadas, as mais queridas e incensadas, com quem todo mundo gosta de trabalhar?

Pois não me admira…

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

Sobre excelência e valor

30 de janeiro de 2010 | ligiafascioni

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Excelência é uma palavra muito em moda, assim como valor. É um tal de atingir níveis e padrões de excelência para lá e agregar valor para cá que é uma loucura. Todo mundo ouve, todo mundo usa, mas poucos sabem exatamente o que esses vocábulos realmente significam no dia-a-dia profissional. Infelizmente, menos pessoas ainda colocam esses conceitos em prática. Vamos por partes, então.

O que faz um profissional merecer o adjetivo excelente?

Antes dessa pergunta ser respondida, há uma outra talvez mais relevante, que a gente nem sempre se lembra de fazer:

Quem é que atribui a classificação excelente a um profissional?

Bom, essa é mais fácil. Quem avalia e classifica um profissional é quem usufrui de seus serviços e o remunera; ou seja, o cliente. Então, profissional excelente é aquele que entrega valor para esse cliente, onde entenda-se por valor tudo aquilo que tem qualidade, é importante, útil, legítimo, válido, merecido e desejado. Não custa lembrar, tudo isso é do ponto de vista do cliente, não do profissional.

Resumindo, a atitude excelente está focada em entregar valor para o cliente.

Beleza essa história de “entregar valor para o cliente”, mas se eu sou auxiliar de escritório e não tenho nenhum contato com o cliente? E se sou estudante? E se eu trabalho como professor e não vendo nada?

É o seguinte: cliente é todo mundo que interage com você e remunera seu trabalho (trabalho= capacidade de provocar mudança) de alguma maneira (nem sempre com dinheiro). Então, se você é operário, o seu patrão é seu maior cliente (ele compra quase todas as suas horas úteis). Mas não apenas isso — se você prestar bem atenção, vai notar que seus colegas também são seus clientes (vocês trocam favores, não é? ). Se você é casado, seu cônjuge é seu cliente (a interação entre vocês provoca mudanças e traz recompensas para ambos; se não é o caso, melhor pedir demissão). Assim, praticamente todo mundo com quem a gente convive pode ser considerado nosso cliente.

Se você não provoca mudança de nenhuma espécie, então também não produz trabalho. Se você não está sendo remunerado à altura da mudança que você consegue provocar, é porque o cliente (quem quer que seja ele), não está percebendo valor nisso. Nesse caso, você pode mudar de atitude para identificar o que é que tem realmente valor e focar no que importa, ou então pedir demissão. Pense a respeito e veja o que é melhor para as duas partes.

Vale lembrar que os clientes são pessoas, portanto são diferentes, têm necessidades distintas e precisam ser tratados com prioridades diversas. Mas convém não esquecer que todos merecem, em algum grau, receber o valor que você tem para entregar.

Se você está ciente da sua missão profissional, de entregar valor, estará sempre observando o ambiente em busca de oportunidades que possam satisfazer seu cliente antes mesmo que ele se dê conta da necessidade. É o balconista que percebe que você está com pressa e faz tudo bem rapidinho; o anfitrião que orienta o garçom a colocar um copo cheio na sua mão assim que seu ameaça se esvaziar; a companhia de seguros que faz o mecânico levar um lanche para o cliente nas missões de socorro; o hotel que inclui um bombom de boas-vindas sobre a cama; e por aí vai.

Mas atenção: lembre-se de que a atitude tem que ter valor para o cliente. Não custa repetir isso porque, às vezes, a gente faz o que gostaria que os outros fizessem por nós, mas não exatamente o que o nosso cliente gostaria. Um exemplo: se você adora incenso de jasmin e acha que assim o ambiente fica mais aconchegante, procure primeiro saber se o seu cliente também vê da mesma maneira. Pode ser que ele tenha alergia, ou que não goste do cheiro. Nesse caso, não é a intenção que vale, mas a capacidade de ver com o olhar do outro; a sensibilidade para perceber o que é importante e tem valor para o cliente. Canso de ver restaurantes com a televisão ligada bem alto só para o dono assistir, pois o volume atrapalha a conversa dos clientes. E o sujeito todo convencido de que está “agregando valor” só porque o aparelho tem 50 polegadas. Ou então a gráfica que dá de presente aquele calendário feio de doer, que será descartado assim que o representante for embora. Para que dar brindes que ninguém quer? As pessoas querem valor, não lixo. E isso não tem nada a ver com dinheiro. Um sorriso pode ser bem mais valioso do que um chaveirinho de gosto duvidoso.

Há também quem acredite que entregar valor é paparicar o cliente derretendo-se a cada mínimo movimento do pobre, quando tudo o que ele mais quer na vida é paz e privacidade.

Vale ressaltar que o profissional excelente entende bem o conceito de sustentabilidade – não adianta faturar uma fortuna esse mês, se no próximo terei gerado uma demanda que não tenho condições de atender. Também não adianta deixar o cliente feliz com um prato sofisticado a preços populares se depois não consigo pagar minhas contas. O valor para o cliente precisa ser sustentável para todas as partes envolvidas; é preciso encontrar um equilíbrio entre entregar valor e ser recompensado à altura. Faço um café para um amigo para lhe entregar valor, mas tenho que fazer isso com prazer, senão o ato não é sustentável, não vale tirar valor de um para cobrir outro.

Ser excelente, em resumo, é olhar com os olhos do cliente, colocar-se no lugar dele, ouvir atentamente, perceber entrelinhas, interessar-se por algo que não seja seu próprio umbigo. Pensar sobre o que o faria encantar-se, o que lhe roubaria um sorriso.

No mais das vezes, não é tão difícil. A questão é que o ego é o maior inimigo da excelência.

Pense nisso.

Liderando no grito

17 de janeiro de 2010 | ligiafascioni

Mais uma da série spams engraçados (concorrendo ao troféu “tiro no pé“).

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Parece que o tal do líder faz gestão de pessoas na base do grito, mas a galera não está nem aí (e o que são essas poses?). Será que junto com o DVD vem o megafone?

Para quem está começando

3 de dezembro de 2009 | ligiafascioni

capa_amarela_frenteEssa semana peguei no colo, pela primeira vez, meu quarto filho: “Atitude profissional: dicas para quem está começando“. Nossa, é uma sensação muito bacana mesmo. O livro está na editora desde janeiro, mas por causa da crise aconteceram vários problemas (ele é todo ilustrado e ia ser preto e amarelo; no final ficou monocromático para reduzir custos) e só agora, 11 meses depois, o danadinho veio ao mundo.

O irmão dele já está na gráfica (”DNA Empresarial: Identidade corporativa como referência estratégica“), mas acho que não vai dar tempo de vê-lo esse ano ainda.

Como viajo dia 11 (na outra sexta) e só volto no início de janeiro, quem quiser ter o Atitude em mãos  autografado antes do natal  tem que correr. Para adquirir um exemplar é só mandar um e-mail para ligia@ligiafascioni.com.br como o endereço para envio que eu respondo com as contas para depósito bancário (custa R$ 32,0o e o frete é por minha conta).

Como estou na maior correria, vou reproduzir aqui a primeira orelha, para vocês terem uma ideia do que se trata: “Há tempos venho ministrando palestras para estudantes secundaristas e universitários sobre atitude profissional. A ideia não é dar lições de vida ou revelar grandes verdades; apenas compartilhar algumas coisas que aprendi a observar com mais atenção. Meu objetivo é enfatizar alguns pontos que só comecei a considerar muitos anos depois de já haver iniciado minha tividade profissional. Um tombo aqui, um escorregão acolá, e a gente vai crescendo e observando comportamentos, aprendendo a se posicionar melhor. Escrevi o livro que gostaria de ter lido logo que entrei na escola, ou pelo menos que alguém tivesse me dito algumas dessas coisas quando entrei na adolescência. Espero que faça alguma diferença na vida de quem vai lê-lo.

Logo vou colocar um link na barra aqui ao lado com mais detalhes.

Dados Técnicos:

Número de páginas: 152 pp.  Peso 220,5 gramas
Formato: 16 X 23 cm  impressão off-set p/b
Lombada: 0,9 cm
Encadernação: Brochura
Preço:  32,00
ISBN: 978-85-7393-849-4
Código de barras: 9788573938494
Assunto: Relações Interpessoais

Dois engenheiros e oito milhões

14 de novembro de 2009 | ligiafascioni

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Três coisas me aborrecem muito: Um, quando se faz apologia do sucesso de quem não estuda menosprezando ou descrevendo como tolo aquele que estudou; Dois, quando uma história sem pé nem cabeça é “vendida” como verdade absoluta só porque “deu na internet”; Três, quando engenheiros ou arquitetos são ridicularizados em público por alguém que nunca sentou num banco de faculdade de Engenharia ou de Arquitetura e, portanto, não sabe do que está falando

Essas palavras poderiam ter saído do meu teclado, pois concordo e assino embaixo de tudo o que está escrito. Mas quem as combinou foi o genial Ênio Padilha em um artigo esclarecedor sobre um vídeo que rola há anos pela Internet com a palestra do Sr. Mario Sérgio Cortella, onde ele conta como operários ridicularizaram engenheiros numa linha de produção de pasta de dente. A história é fake, mal contada e ridícula, mas muita gente leva isso a sério como se fosse um ensinamento.

Segue o artigo do  Ênio.

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Atitude Pro e empregabilidade: por que falta emprego?

2 de novembro de 2009 | albertocosta

Devo confessar que poucas vezes na vida encontrei tanto estímulo para escrever como na coluna do Max Gehringer a que me referi no primeiro post sobre esse assunto. A segunda pergunta que ele respondeu foi de alguém chamado Grégor, que pedia uma explicação para o fato de, seis meses depois da formatura, apenas 3, entre 80 colegas, terem conseguido emprego – o Max foi ótimo, afirmando o óbvio: há poucas vagas, ora bolas. O que você acha que as empresas deviam fazer? Aumentar o número de vagas cada vez que uma turma de formandos jogasse seus capelos para o alto em algum auditório bonitinho?

600px-Education_-_Grad_Hat.svgCapelo não é crachá nem carteira funcional.

Mas eu diria ao Grégor (ou, mais precisamente, aos leitores do blog de atitude) que essa pergunta que ele fez esconde (ou revela) um sério problema de atitude profissional. Será que vocês, assim como o Grégor, acham que emprego é uma espécie de prêmio que se concede a alguém por terminar um curso profissionalizante, universitário ou não? Temos, então, um sério problema de gestão de expectativas a resolver aqui.

Quando nos matriculamos em um curso (do maternal ao curso para casais gestantes oferecido pela maternidade local, passando pelo cursinho pré-vestibular, pela classe de catecúmenos e pelo pós-doutorado em astrofísica aplicada à gestão de escolas de samba), não importa o que a propaganda diga, a única promessa válida é a que corresponde à natureza dos cursos: conhecimento(s), habilidade(s) e um certificado ou diploma, além do respectivo recibo pelo pagamento das mensalidades ou anuidades. A consequência natural de um curso não é um emprego, não importa o que lhe tenham dito.

A pergunta do Grégor é absurda. É quase como se ele perguntasse: porque, chovendo como chove na região amazônica, vende-se tão poucos guarda-chuvas ali, comparativamente com São Paulo? É “elementar, meu caro Watson“: guarda-chuvas não são produzidos em relação com a precipitação pluviométrica, mas em relação com a população que não quer molhar-se. E são 40 milhões no estado de São Paulo, contra 15 milhões em toda a região norte do país (incluindo um bocado de tribos indígenas que não ligam a mínima para molhar-se ou não).

Emprego é uma demanda por competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) tanto mais valiosas quanto mais raras. Então, como alguém consegue diferenciar-se, tornando rara e valiosa a sua competência? Como ser um dos 3 numa turma de 80? Atitude, meus caros: a única, das três variáveis, que não pode ser transformada em commodity.

Os 80 tiveram acesso ao mesmo volume de informação e a oportunidades similares para desenvolver suas habilidades. O Grégor, entretanto, formou-se sem proficiência na língua pátria, provavelmente uma deficiência comum aos outros 76 desempregados (sem falar de outras possibilidades, de arrogância a mau hálito, passando por chegar atrasado à entrevista e colocar a culpa nos semáforos, aquelas inocentes luzes coloridas que enfeitam nossa vida urbana e sabem exatamente a hora de agir e a hora de dar oportunidade às colegas).

Estude para aprender. Aliás, estude para aprender a aprender. E quando um provável empregador lhe perguntar quais são seus principais defeitos, não responda: “eu sou perfeccionista”. Ninguém é suficientemente perfeccionista para fazer suficientemente bem o que se espera de alguém que tem um emprego: gerar valor para o cliente, produzir a riqueza da nação. Há um bocado de vagas não preenchidas no mercado, inclusive para empresários (porque muito empreendedor iludido quis ser “empresário” pelo motivo errado: “ganhar dinheiro” ou “não ter patrão”). Ainda falarei mais sobre isso.

Todos os ouvidos

22 de outubro de 2009 | ligiafascioni

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Essa semana assisti a uma palestra bem interessante. No coquetel de encerramento conversei com um empresário que elogiava a ótima apresentação, pois tinha lhe rendido ótimas ideias. Quando ele começou a apresentar suas propostas, fiquei surpresa: a maioria contradizia ponto a ponto tudo o que o palestrante tinha falado.

Aos poucos, dei-me conta do que aconteceu: as primeiras frases lhe inspiraram tanto que depois ele não prestou atenção em mais nada do que foi dito. Perdeu a melhor parte e, apesar da diversão mental, suas ideias cairiam todas por terra em uma análise mais crítica. Mas ele estava feliz e satisfeito com seu próprio desempenho e despejava, contente, suas sacadas geniais.

Quantas vezes a gente comete o mesmo erro, de começar a elucubrar e não ouvir o que poderíamos aprender? Ficamos tão maravilhados com a festa que rola dentro da nossa própria cabeça que o mundo exterior fica completamente dispensável e até meio entediante. Do lado de dentro da gente não há críticas, chatos duvidando do nosso brilhantismo, ceticismos e julgamentos fora de hora. São ideias lindas pipocando e se reproduzindo descontroladamente como fogos de artifício. Resistir, quem há de?

Isso faz lembrar de um dito antigo, onde há quem se gabe de “enquanto você está indo com a farinha, eu já estou voltando com o bolo”. Essa frase, apesar da pessoa que a usa com frequência não perceber, resume a total e incontestável incapacidade de ouvir. Para mim ela faz um parzinho perfeito com outra que diz que “tem gente que só aprende o que já sabe”. É ou não é?

É que ouvir é uma das tarefas mais difíceis que existem para um ser humano. Desviar um pouquinho os olhos do próprio e adorado umbigo e prestar atenção no outro; concentrar os sentidos em absorver o conhecimento e a experiência de alguém que não mora na nossa cabeça; deixar de lado nossas próprias convicções e tentar vestir a pele de outrem. A missão demanda muito esforço e um domínio quase sobrehumano do nosso pobre ego. Mas compensa. Sem isso, é quase impossível aprender de verdade.

Mas é preciso dizer que é difícil, muito difícil mesmo. Resta a confissão final e envergonhada: eu mesma bolei essa coluna inteirinha enquanto “ouvia” o tal empresário…

Fazer o quê?

Excelência Pitbull

13 de outubro de 2009 | ligiafascioni
Ilustração: Marcos Guilherme

Ilustração: Marcos Guilherme

Spam é uma chateação na vida da gente, mas, dependendo do enfoque, pode virar diversão ou mesmo tema de coluna quando a gente está sem assunto. Pois essa semana recebi um e-mail não solicitado com um design de dar dor de cabeça me convidando para um curso imperdível. Eles prometiam que, se eu aceitasse o convite, poderia me tornar uma super-mega-master vendedora pitbull.

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Entrevista na TV COM

11 de outubro de 2009 | ligiafascioni

A entrevista que o Alberto e eu demos na TV COM para divulgar a palestra “Excelência na Era da Atitude” e o curso Atitude Pro está aqui para quem quiser conferir. Como a conversa durou 12 minutos, dividimos em dois vídeos. Assista e comente!


Muito trabalho dá nisso…

10 de outubro de 2009 | ligiafascioni

Você está entendiado com seu trabalho, seus colegas também. Vocês não sabem o que estão fazendo na empresa, não sabem porque recebem salário. Enfim, surge então uma ideia.

Pergunta: por que essas pessoas não se mexem, saem desse emprego e abrem uma produtora de vídeo ou algo que lhes dê mais prazer? Tanta criatividade e zero de atitude! Não dá para entender…

A não ser que eles sejam profissionais de criação que estejam tentando ter alguma ideia brilhante para uma campanha ou algo do gênero (o processo criativo tem desses mistérios divertidos). Mas parece ser um escritório comum (e bem chato).

Eu penso mesmo é que esse pessoal cheio de bossa está no lugar errado, isso sim.

Atitude Pro e empregabilidade: MBA ou mestrado?

10 de outubro de 2009 | albertocosta

Eu estava tomando café numa padaria outro dia e comecei a folhear uma revista Época, de 25.06.07, disponível para leitura lá. Primeira página em que abri: coluna Nossa Carreira, do Max Gehringer. Ele responde a 4 perguntas de leitores e eu vou reforçar uma e oferecer respostas alternativas a 3 delas, que denotam atitude pouco profissional das pessoas que as enviaram. A primeira, assunto deste post, é: “Eu tinha planos de fazer um MBA, mas dois amigos já me disseram que ‘MBA, hoje em dia, qualquer um faz’. É verdade? Seria melhor um mestrado?”, pergunta feita por alguém identificado como Sílvia Regina.

Em primeiro lugar, competência se constrói sobre conhecimento, habilidades e atitude. A Sílvia demonstra falta de conhecimento (ela não sabe a diferença entre MBA e Mestrado) Leia o resto desse post »

Palestra: Excelência na Era da Atitude

21 de setembro de 2009 | ligiafascioni

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Na quarta-feira, dia 30 de setembro, às 19 horas, o consultor Alberto Costa e eu vamos fazer uma palestra sobre atitude profissional no auditório da ACATE (bairro da Trindade, Florianópolis) como parte da programação da Confraria Empresarial.

Nosso objetivo é provocar uma reflexão sobre como a gente costuma se comportar e se relacionar e que tipo de impactos essas ações provocam na nossa vida profissional.

A palestra também vai servir para apresentar um curso que estamos montando para oferecer para empresas voltado ao alinhamento da atitude profissional dos colaboradores e a missão e visão da organização.

A palestra é gratuita, mas as vagas são limitadas porque o auditório não é muito grande. Você pode reservar seu lugar clicando aqui.

Bolsa de valores

15 de setembro de 2009 | Ligia Fascioni
Ilustração: Arturo Elena

Ilustração: Arturo Elena

Estava ontem sentada num café esperando meus companheiros de reunião chegarem e acabei ouvindo um pedaço de conversa entre duas moças sentadas na mesa do lado. Uma parecia muito indignada, pois tinha saído de uma avaliação de desempenho e o chefe havia lhe dado um mero “regular” no quesito comprometimento. “Mas ele sabe muito bem que esse semestre está difícil na faculdade, que eu tenho que estudar. Minha prioridade é me formar. Além disso, minha mãe ficou doente. O cara sabe disso, não sei porque ele foi tão injusto”, bradava a revoltada profissional.

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Rede de micos

14 de setembro de 2009 | Ligia Fascioni

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Aparentemente, quase todo mundo que está no mercado sabe da importância de se desenvolver e manter uma boa rede de contatos, ou, para os mais antenados, a tal de networking.

A questão é que parece haver certa confusão com o que viria a ser essa tal rede de contatos. Tem muito figura que acha que networking é a sua coleção de cartões de visita e que serve para pedir emprego quando a empresa onde trabalha o obriga a buscar “novos desafios”. E há uma boa parcela que acredita que a rede é aquela listinha de e-mails para quem se pode mandar correntes, piadas, vídeos espetaculares, anúncio de venda de carro, mensagens musicais ilustradas com “lições de vida”, o seu currículo e até o currículo do seu sobrinho desempregado que está precisando de uma força.

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Proativo?

14 de setembro de 2009 | Ligia Fascioni

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Hoje em dia é raro um profissional não se descrever como proativo. No currículo, só perde mesmo para a habilidade de trabalhar em equipe, mas disso tratamos depois.

Se a gente analisar direitinho vai ver que pouca gente é mesmo proativa, olha só.

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Dicas de português

14 de setembro de 2009 | Ligia Fascioni

topoemail_r1_c11Toda semana eu recebo dicas de português por e-mail. É um boletim com dúvidas que os internautas postaram no site www.linguabrasil.com.br com as respectivas respostas e exemplos. Quer receber também? É só ir no site e se cadastrar. Muito bacana mesmo!

Currículo vazio

14 de setembro de 2009 | Ligia Fascioni

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Não raro eu tenho o prazer de conhecer designers promissores e, como talento é coisa que me toca e emociona, vou logo oferecendo a minha página na Internet para divulgá-los. São estudantes, ilustradores, designers recém-formados ou profissionais experientes que eu recomendo na seção “gente de talento”.

Essa seção nasceu porque viviam me perguntando se conheço alguém competente para recomendar, já que faço tanta apologia do design. Confesso que dou preferência a gente que está começando ou empresas locais. As agências poderosas e reconhecidamente excelentes são citadas lá na seção de links como referências.

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Argumentum ad hominem

14 de setembro de 2009 | Ligia Fascioni

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Sabe quando uma pessoa faz um comentário ou uma observação qualquer e, em vez de refutar o argumento, você critica a pessoa? Automaticamente o assunto tratado fica fora de questão, o foco passa a ser quem o está defendendo. Esse erro de raciocínio é tão antigo e comum que tem até um nome: argumentum ad hominem (expressão latina que significa “argumento contra o homem”).

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A marca do designer

14 de setembro de 2009 | Ligia Fascioni

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Dia desses caí numa discussão com um designer (vamos chamá-lo de Carlos) sobre a divulgação da marca do autor em um projeto. Ele trabalha com design gráfico aplicado a veículos (aviões, trens, ônibus, etc) e dizia que penava para convencer seus clientes a colocar o logotipo dele nos veículos. Compreendo perfeitamente os clientes. Eu também não ia deixar de jeito nenhum.

Vamos aos argumentos do Carlos:

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Fiel profissional

14 de setembro de 2009 | Ligia Fascioni

michelangelo

Vender não é para amadores, mas vender consultoria, cursos, projetos (design, arquitetura, engenharia, propaganda) é uma tarefa quase divina. Quer ver?

Primeiro, vamos às definições. Segundo o papa do marketing, Philip Kotler, produto é tudo aquilo que atende às necessidades dos clientes. Então podemos considerar serviços como produtos também, só que intangíveis (não se pode tocar). Isso sabido, vamos combinar que aqui vou usar produto para me referir a objetos tangíveis e serviços para intangíveis, só para simplificar, ok?

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Questão de referências

14 de setembro de 2009 | Ligia Fascioni

aguia

Essa semana recebi o e-mail de uma aluna que estava atravessando uma crise profissional e me pedia conselhos. Vamos chamá-la de Teresa. Pois é, o caso é que a moça estava fazendo estágio em um escritório e tinha sido destacada para fazer apenas trabalhinhos chatos, como editar imagens e outras tarefas menores, segundo ela.

Um colega comentou com Teresa que ela estava desperdiçando seu talento nesse lugar e que deveria cair fora logo, afinal de contas, já faziam inacreditáveis 3 semanas que ela estava lá e nenhum projeto realmente legal havia sido colocado sob sua responsabilidade. Teresa ainda completava dizendo que sabia que era excepcionalmente boa no que fazia e que não lhe davam o devido valor. A moça realmente estava em dúvida se saía ou não batendo a porta.

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Reentrada no mercado de trabalho

14 de setembro de 2009 | Ligia Fascioni

drai02

Minha irmã resolveu cumprir a minha cota na manutenção da humanidade e teve três filhos (o mundo acabaria se todos fizessem como eu, que não tenho nenhum). Por conta disso, acabou se afastando do mercado e agora está encontrando dificuldades para voltar. Esses dias ela escreveu uma carta à Catho, empresa de recrutamento e seleção, que, de tão realista (e bem escrita), achei por bem publicar aqui (afinal, esse sentimento deve ser compartilhado por pessoas que freqüentam esse blog).

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